Diferença
entre combate e convivência com a seca
Desde a década de 1980,
entendeu-se que não era possível "combater" ou "enfrentar"
a seca. Mudou-se, então, o olhar, aparecendo a palavra "convivência"
como mais apropriada. O entendimento é de que, se por um lado o fenômeno
natural sempre ocorreu e deverá inclusive se agravar e, por consequência, não
dá pra ser combatido, por outro, pode-se desenvolver propostas e experimentar
alternativas baseadas na ideia de que é possível e necessário conviver com
ele.
Que
medidas vêm sendo tomadas para mitigar os efeitos da seca?
No ano de 1891 foi incluído
na Constituição Brasileira um artigo que obrigava o Estado a socorrer áreas
atingidas por desastres naturais, entre eles a seca. Atividades de combate aos
efeitos desse fenômeno – como construção de açudes e barragens, perfuração de
poços, assistência à população com distribuição de alimentos, formação de
"frentes de trabalho" etc. – iniciaram-se em 1909, com a criação da
Inspetoria de Obras Contra as Secas (Iocs), posteriormente denominada Departamento
Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).
Desde então, diversas medidas têm
sido tomadas, de forma que mesmo tendo ocorrido recentemente no Nordeste a
maior seca dos últimos 50 anos, os efeitos para as populações foram bastante
minimizados em função das políticas públicas existentes.
Soluções
para convivência com a seca
Não existe uma receita
pronta e que sirva para todos. Entretanto, é essencial que as famílias tenham
acesso à água para consumo humano, para consumo animal e, em alguns casos, para
alguma produção. Além disso, é necessário que se tenha uma leva de terra com
tamanho e qualidade suficiente para o sustento dos agricultores e de suas
famílias.
Havendo políticas que garantam isto, e entendendo que para se
conviver nesse ambiente torna-se necessário ter sistemas de produção
diversificados com cultivos alimentares, culturas de renda e, principalmente,
pequenas criações, é preciso, cada vez mais, trabalhar com plantas mais
resistentes (buscar inclusive opções entre espécies nativas), animais mais
rústicos ainda que menos produtivos, além de se buscar uma harmonia com o
ambiente em que se vive. Outra questão crucial para a convivência é a efetiva
assistência técnica e extensão rural.